(o provável fim da pausa.)Eu sabia que ele não desistiria. O Curinga nunca desiste. Ele apenas muda.
Um mês e meio de muitos curingas.
Aquele velho vilão da infância, daquele texto esquecido, do baralho já rasgado.
Enfrenta-lo te faz crescer, aprender.
O Curinga britânico foi mais traiçoeiro, mais frio. Quando tudo parecia resolvido, ele vinha tirar tudo dos eixos. É mais falso, fingindo uma educação que surpreende. Ele se esconde, se camufla.
Assim como os super-heróis. Esses, não chegavam com estardalhaço, não chamavam atenção, não te ofereciam ajuda. Você é quem tinha que prestar atenção. Eles tomavam formas de músicos de metrô no meio do dia, sem avisar. Ou apareciam como dias ensolarados, aulas hilárias, conversas incomuns, vendedores de livros de “yoga”, gaúchos falantes, crianças barulhentas, pessoas que vi apenas uma ou duas vezes, detalhes, sorrisos e desconhecidos.
Quem atrai o Curinga, somos nós. Por medo, ou incerteza, demoramos à tomar uma decisão ou à resolver uma situação e então, ele se aproveita, causando um problema maior. Mas, a causa em si, normalmente somos nós mesmos. Só em raras vezes, ele quer o show só para ele.
Só agora, consigo dizer que valeu a pena.
Quase com um sorriso idiota no rosto, clichê. Até um sentimento de saudade de alguns que vi apenas uma vez, aqueles que falam exatamente o que você precisava ouvir e de lugares e ruas que se tornaram familiares com o passar do tempo.
Vontade de rever esses mesmos heróis ou, ao menos, ter tido a chance de me despedir.
Percebo o tanto que aprendi e talvez até cresci, o tanto que mudei enquanto continuo a mesma.
Já consigo me ver andando lado a lado com o Curinga.
Ele, sorrindo de lado, diz que, da próxima, eu não escapo.
Olho pro lado e ele tenta me fazer tropeçar, como talvez um amigo tentasse. Ele quer que você caia para aprender a levantar.
Talvez, desde o começo, ele só quisesse o teu bem. O que você, todo preocupado, não conseguiu perceber. Mas agora, consegue concordar e se sentir agradecido.
4 comentários:
foi bom fazer parte de tudo isso aí, mesmo que tão longe.
é fato que mesmo com uma distância oceânica, não haverá empecilho pra nós não estarmos juntas.
e em julho eu quero ver a Sarinha um pouco mudada pela neblina britânica :)
amo ;*
me espanto quando vejo que, a cada dia que passa, seus textos ficam melhores.
daqueles tipos que passam todas as sensações e sentimentos possíveis.
você ainda mudará o mundo, se alguma pessoa que ler um livro quiser tentar.
Os seus textos são fascinantes, você escreve muito bem! A maneira coo você relata as coisas passam todos os sentimentos possíveis pra lê seus textos.
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