segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Metamorfoses do Coringa


Vestidinho rosa, rodado. Pés descalços, cabelo encaracolado e loiro. Preso de um jeito quase descabelado, nada que tirasse o encanto do sorriso de criança. Ela tinha um jeito mimado, meio fresco, à primeira vista. Só quem a observasse por mais tempo entenderia a felicidade que ela sentia com coisas simples. Nem de ficar sempre toda arrumada ela gostava, a maioria das crianças não gosta muito. Ela queria correr e sujar os pés. A felicidade da lama. Andar por construções... ela amara a época em que sua casa ficara em reforma: tinha terra pra todo lado, tijolos, cimento. Os olhos dela brilhavam de ternura, mas em alguns dias era possível ver uns vestígios de tristeza, tristeza suave. E quando isso acontecia, era sempre ao anoitecer. Se tinha duas coisas das quais ela não gostava, era da noite e do céu. Por mais bonito que ele fosse, ele tinha levado sua mãe. Pelo menos, era isso que os adultos diziam, e não era justo. Assim como não era justo ela precisar dormir, e a noite a obrigava. Começava a escurecer e logo seu pai a levaria pra cama, ela adormeceria pelo cansaço das peripécias do dia e ele viria, como em todas as outras noites.

Ele, o Coringa. O vilão de seus sonhos. Nesses sonhos, ela sempre corria, mas nunca adiantava: o Coringa tinha um tiro certeiro. Mesmo assim, ela não conseguia chamar de pesadelo, era só um sonho. Sonho, e não pesadelo, porque neles havia esperança. Esperança de um dia não acordar assim que o Coringa disparasse sua arma. De ver além disso. De talvez, quem sabe, poder continuar no sonho e ir pro céu também, matar as saudades que tinha da mãe. Falar coisas que antes, quando sua mãe ainda lhe contava histórias sobre menininhas e lobos, ela não entendia. Contar como ela fazia falta. Ela esperava por isso, mesmo que fosse só assim, dormindo, e que tudo acabasse minutos depois, logo que ela abrisse os olhos.

Ela cresceria e quando fosse forte o bastante, venceria o vilão. Ninguém queria lhe contar como a mãe conseguira chegar até o céu, e ela acabou concluindo que os adultos também não sabiam. Mas ela descobriria, e iria até lá assim que derrotasse os vários Coringas da sua vida. O difícil vai ser descobrir que forma o Coringa terá quando ela for forte o bastante.


Pesadelos com Coringas que atiram e acabam com suas esperanças, dia após dia, onde a solução pode ser um colete à provas de bala e nada mais: simples. Só é difícil saber que tipo de colete usar quando o Coringa fizer uso de outros tipos de armas.

4 comentários:

Anônimo disse...

o seu melhor texto.

e não se preocupe, o curinga é carta fora do baralho (?)
tá, tem sentido pô.
ISPPOSKPSOKOSKOSKOSKPOKS

te amo ;*

Anônimo disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAH, QUE BOM QUE VOCÊ VOLTOU A ESCREVER NO BLOG! \\O//


Sério, seus textos me fazem pensar.
Queria que você escrevesse umas três vezes ao dia, daí eu ficava lendo coisa boa o dia inteiro, rs.

Amei esse texto, cara. Vou ler o outro e comento lá. :D

Paula Delfino disse...

O texto ficou muito bom,mesmo!

Anônimo disse...

Esse texto me lembra:
- conversas
- cartãozinho *-*
- "a bruxa"
- "o dia do curinga" [?]
- e que exstem pessoas q podem te ajudar a vence-lo [eu tento =X]

TEXTO LINDO
*-*